Amizade é algo tão belo que uma verdadeira amizade alegra o coração. Somos seres relacionais e Deus nos criou para vivermos socialmente e termos amigos os quais podemos chamar de melhores amigos. Nós, seres humanos, quando nos relacionamos, refletimos a relação da trindade. Portanto, já que é inevitável a amizade, pois fomos criados para ela, dois conselhos são importantes no entendimento de quais devem ser os nossos melhores amigos.

A amizade precisa ser escolhida a dedo. Com isso, eu quero dizer que devemos selecionar bem a nossa amizade. Jesus escolheu doze homens para estar com ele e desses doze, três faziam parte do círculo mais íntimo de Jesus. Eram estes: Pedro, Tiago e João. Há duas razões para uma escolha seleta da nossa amizade. A primeira, é para que não sejamos influenciados negativamente por aqueles que escolhemos ser nossos amigos. Por residir em nós a natureza pecaminosa, se não vigiarmos, nós seremos mais influenciados do que influenciadores. Em segundo lugar, por vezes, o fato de escolhermos os nossos melhores amigos que não tem a mesma conduta cristã que nós temos, poderá ser que eles nos decepcionem com mais facilidade. O Salmista disse no Salmo 41:9: “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar”. Aqueles que consideramos nossos amigos mais próximos, a esses confiamos os nossos dilemas e segredos. Se eles quebrarem a nossa confiança, poderemos nos fechar para novas amizades frutíferas e corretas. Não deixe que a escolha das amizades erradas lhe feche para as futuras amizades certas.

Ainda assim é possível ter amigos não cristãos. Ter amigos cristãos, sendo esses os nossos melhores, não exclui uma amizade saudável com os não cristãos. O que quero dizer com isso é que os religiosos segregam aqueles que não fazem parte da mesma religião que eles. Nós, porém, somos seguidores de Cristo e devemos agir como o nosso Mestre agiu. Jesus comeu com pecadores e os fariseus o recriminaram por isso. Na mentalidade dos fariseus, comer e se relacionar com quem não tinha a mesma fé que eles, os quais são chamados hoje no populacho cristão moderno de alguém que “vive no mundão”, é o mesmo que aprovar ou participar de tudo que eles estão fazendo. Dentro da religião judaica é se tornar impuro o fato de ter contato com esses. Mas Jesus disse que não veio para sadios e sim para doentes. Jamais influenciaremos o mundo se não nos relacionarmos com os que estão no mundo. Somos luz do mundo e devemos iluminar através de nossas atitudes a vida daqueles que não tem Cristo. Isso requer de nós o envolvimento em alguma medida com eles, quer no colégio, na família ou em qualquer outra esfera da vida. Porém, a luz que há em nós não deve se apagar no mundo, ou seja, não devemos perder a fé diante da influência daqueles que não são cristãos e com quem inevitavelmente nos relacionamos.

Concluo dizendo que os nossos melhores amigos precisam ser os da família da fé, pois assim conversaremos sobre os assuntos que nos edificam mutuamente. Mas isso não quer dizer que é proibido ter amigos que não são cristãos, no entanto, ainda assim, essa amizade tem um limite. O médico anda no meio dos doentes não porque ama a doença, mas porque ama a saúde. A lógica é que, como cristãos, precisamos ser influenciadores nas amizades em um mundo caído, sem se esquecer de que há um perigo nas nossas amizades com não cristãos, pois ainda carregamos em nós a influência da queda.

Rev. Danilo Alves Rocha
revdaniloalves@gmail.com
Pastor da IPB na 706 Sul em Palmas-TO